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Consumo Consciente ou Black Friday?

23/11/2017
Autor: Luiz Fernando de Araújo Bueno

 

Dou início a este artigo invocando com o seguinte provérbio africano: "O mundo que temos hoje nas mãos não nos foi dado pelos nossos pais. Ele nos foi emprestado pelos nossos filhos".

Isso significa que cada geração deve legar às gerações vindouras um meio ambiente igual ou melhor do que aquele recebido das gerações precedentes, conforme preconiza a Organização das Nações Unidas (ONU), sem que perca de vista o sucesso econômico.

Como diz o ambientalista Claudio Valadares "o homem no vermelho não protege o verde", por isso a grande meta que sintetiza todo esse esforço é compartilhar transformação produtiva com equidade social e sustentabilidade ambiental.

Eu sempre prego que a responsabilidade Social começa em casa, com a mudança de nossas atitudes. Como consumidores devemos ter em mente que não existe um ato de consumo sem impacto.

O artigo de hoje tem a finalidade de aprofundar um pouco esse tema por considerá-lo de suma importância para todos nós.

Mas afinal de contas do que estamos falando?

Segunda definição do Instituto Akatu, consumo consciente é "o consumo com consciência e voltado à sustentabilidade". Tudo a ver com o provérbio africano acima, não?

Toda vez que se usa água ou energia elétrica, joga fora o lixo ou se vai às compras, o consumidor consciente leva em conta o impacto dessas ações sobre a economia, a sociedade e o meio ambiente.

Consumir com consciência é uma questão de cidadania, pois o consumo de um grande número de pessoas, mesmo por um curto período de tempo, faz, igualmente, muita diferença.

Isso é possível quando pessoas escolhem comprar produtos ou serviços de empresas socialmente responsáveis, que não têm com objetivo apenas tirar proveito da sociedade, mas respeitá-la e dar algo em troca.

São empresas que levam em consideração a sociedade e o meio ambiente, como as indústrias que não poluem o ar ou a água, os produtores agrícolas que não exploram o trabalho infantil ou as lojas de móveis que não vendem peças fabricadas com madeira extraída ilegalmente das florestas nativas.

Ou, ainda, empresas que investem em suas comunidades e em seus colaboradores e suas famílias. Privilegiando essas empresas, o consumidor deixa claro sua escolha por quem ajuda a construir uma sociedade mais justa.

O simples ato de ir às compras pode levar as pessoas a mudar o mundo. Para isso, é preciso fazer algumas perguntas, próximos ao impulso pela compra, tais como: Por que? O que? Como? De quem? Como vou usar? Como irei descartar? Como posso reduzir, reutilizar e reciclar?

Não devemos viver para o consumo e, sim, consumir para viver.

Tenho visto diversas iniciativas de empresas e organizações orientando as pessoas para o consumo consciente, visto que tudo aquilo que se faz todos os dias, faz diferença.

E agora prezado leitor? Após a leitura deste artigo, dá para imaginar como estamos com relação ao tema "Consumo Consciente"? Indiferentes? Iniciantes? Engajados? Conscientes?

No site do Instituto Akatu (www.akatu.org.br) vocês poderão, além de fazer o teste de consumidor consciente, encontrar dentre outras coisas, dicas, orientações básicas e o grau de responsabilidade social das empresas que você consome produtos e serviço.

Encerro este artigo com uma frase do George Bernard Shaw que julguei oportuna para este momento. "Não há progresso sem mudança". "E quem não consegue mudar a si mesmo, acaba não mudando coisa alguma".

Agora é com vocês, Consumo Consciente ou Black Friday?

Luiz Fernando de Araújo Bueno, Administrador de Empresas, Professor da IBE-FGV, Diretor Titular do Departamento de Sustentabilidade do CIESP - Diretoria Regional de Campinas, articulista, consultor e palestrante