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Discussão para manter feriado de 20 de novembro em SB avança

06/12/2017 - 13h25

 

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A discussão para a manutenção do feriado de 20 de novembro - Dia da Consciência Negra - em Santa Bárbara d' Oeste começou ontem (05) em reunião entre o Movimento Negro, representado pela Associação Beneficente e Cultural Carolina Maria de Jesus, Unegro, Associação da Comunidade e Cultura Negra (ACCONE) e diretores da Acisb-Associação Comercial e Industrial de Santa Bárbara e teve avanços com o agendamento de um novo encontro para discussão mais ampla no início do ano.

A Acisb, pressionada por comerciantes e industriais, como afirmou seu presidente Roberto Bonamim, tem intenção de seguir o exemplo de Americana, passando a comemoração da data para o terceiro domingo do mês. Já o Movimento Negro, sugere a implantação de políticas de inclusão e alternativas que contemplem a todos sem prejuízo do feriado de 20 de novembro e sem que afete o comercio. Por sua vez, a Câmara Municipal que aprovou a lei que reinstituiu o feriado no município no ano passado, não quer voltar no assunto. "Seria hipocrisia de nossa parte dar a Medalha Zumbi dos Palmares e planejar retirar o feriado de 20 de novembro. Não há coerência nisso", afirmou o presidente do Legislativo, Ducimar Cardoso, o Kadu Garçom (PR).

O presidente da Acisb, explicou que depois da votação em Americana, que passou o feriado para o terceiro domingo de novembro recebeu inúmeras ligações de empresários da indústria e do comércio questionando como fica em Santa Bárbara. "Em 32 dias são 4 feriados em Santa Bárbara e impacta muito o comércio e a indústria. O trabalho no feriado fica oneroso para o comércio e a indústria", ressaltou Roberto Bonamim. Ele disse que a Acisb vai tentar se aproximar, fazer um trabalho de integração do negro na indústria e no comércio. "O Movimento Negro veio propor algumas coisas nesse sentido e estamos de portas abertas. Na segunda quinzena de janeiro vamos sentar e ver uma forma que não onere tanto e tentar chegar num acordo. O bom seria que seguisse o exemplo de Americana. Jogar para o terceiro domingo ajudaria o comércio da nossa cidade", afirmou.

Segundo ele, a Acisb esta aberta ao diálogo e percebeu que o Movimento também quer achar uma solução para o comércio. "Vamos nos reunir mais vezes para discutir as possibilidades e promover a Consciência Negra com o apoio da Acisb. Queremos ver nosso comércio forte para gerar renda, emprego e a inclusão do negro e para isso todos tem que se empenhar se comprometendo com o trabalho", completou Roberto.

A reunião com a Acisb foi solicitada pelo presidente da Associação Carolina Maria de Jesus, Antonio Carlos Vianna de Barros, o Carlinhos, diante das cogitações sobre o interesse da Acisb na revogação do feriado. "Manifestamos aos diretores a nossa preocupação de quererem passar o feriado para o terceiro domingo, inclusive procurando autoridades para revogar o feriado que tem profundo significado para a luta do povo negro e ressaltamos que seria de ganho ao comércio se sentasse com o Movimento Negro e pensasse junto numa outra pauta que refletisse políticas de inclusão", informou Carlinhos.

O Movimento também colocou que as políticas de inclusão são possíveis e fortalecem o próprio comércio, como a Cooperativa de Reciclagem, criada pelo Movimento Negro em parceria com a administração publica, que hoje gera empregos e permite que as pessoas gastem no próprio comércio. "Um outro olhar é necessário, além do ganho pelo ganho, e isso nós procuramos demonstrar ao pessoal da Acisb", disse Carlinhos.
Ainda na reunião foi demonstrado pelo Movimento que cresceram as estatísticas que revelam um aumento de pessoas negras que se auto-identificam e que também consomem no comercio e precisam de visibilidade. "Demonstramos que não queremos uma política sectária de confronto. Que enxergamos o comércio e as dificuldades de pequenos comerciantes e estamos buscando alternativas que contemplem a todos. Tanto que recorremos ao Sindicato dos Comerciários e aceitamos também conversar com o Sindicato patronal que representa o comércio e a indústria", completou o presidente do Movimento Negro.

Ele considerou esse encontro na Acisb, como salutar e extremamente proveitoso. Novo encontro foi marcado para a primeira quinzena de janeiro, na Acisb, com representantes do Movimento Negro, do Sindicado dos Comerciários e do Sindicato Patronal para discutir uma pauta que contemple a todos, sem prejuízo ao feriado, ao comércio e a indústria. "Levaremos uma agenda para ser discutida com as propostas de aplicação de políticas públicas. Nesse primeiro encontro nós demonstramos que é possível as partes se sentarem e pensarem no bem comum, e refletir sobre a contribuição do negro dentro da sociedade e não tratar com invisibilidade, pensar em políticas de igualdade e equidade", finalizou Carlinhos Barros.

CÂMARA NÃO QUER DISCUTIR O ASSUNTO:
"Algumas pessoas da cidade teimam em querer copiar as coisas que acontecem nas cidades vizinhas. Respeito o Roberto Bonamim, mas ele participou de audiência publica aqui, a população participou. Era hora de ter feito. Agora quer rediscutir uma situação que já discutiu e foi votada por nos em outra legislatura. Até onde sei, em reunião prévia com os vereadores, a maioria não quer discutir mais este assunto. Porque o comércio não discute em retirar o carnaval? O que o carnaval soma para ter três dias de carnaval.", afirmou o presidente da Câmara, Ducimar Cardoso, o Kadu Garçom

Ele disse que conversou com o secretário municipal de Governo, Rodrigo Maiello, sobre o assunto e alertou que o prefeito deve pensar muito bem antes de levantar essa questão. "É uma questão que está resolvida, foi votada, teve audiência pública e é extremamente desgastante uma vez que o Legislativo do nosso país já vem de um desgaste enorme e nós vamos ter que passar por mais esse desgaste, mais discussões onde um lado sempre vai sair descontente. Acho que é um negócio que já está aprovado, tem seu valor. Acabamos de fazer a homenagem com a entrega da Medalha Zumbi e seria hipocrisia de nossa parte dar o prêmio Zumbi e planejar retirar o feriado de 20 de novembro. Não há coerência nisso.", contestou. Segundo Kadu, tem vereadores que, se fizer a discussão para revogar o feriado, no outro dia tem projeto para instituir de novo.

Fonte: Redação

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