A transformação digital em busca
de competitividade levará setores tradicionais da indústria a criar vagas de
nível médio e superior em ao menos 30 profissões listadas pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai). A projeção inclui oito setores da indústria e contou com a
participação de 20 especialistas, envolvendo representantes de empresas, de
sindicatos de trabalhadores e de universidades, além de analistas do próprio
Senai.
Chamada indústria 4.0, a nova
fase já produz transformações em setores como o automotivo, de alimentos e
bebidas e de petróleo e gás, integrando o mundo físico e o virtual por meio de
tecnologias digitais, como internet das coisas, big data e inteligência
artificial.
O setor automotivo está entre os
que mais demandará profissionais para vagas ligadas à transformação digital,
que trará tecnologias como a robótica colaborativa para a rotina da produção.
Segundo o estudo do Senai, entre 31% e 50% das empresas do segmento vão criar
vagas de mecânico de veículos híbridos, mecânico especialista em telemetria,
programador de unidades de controles eletrônicos e técnico em informática veicular.
Na indústria de alimentos e
bebidas, está prevista a criação de oportunidades para técnicos em impressão de
alimentos, especialista em aplicações de tecnologias de informação e
comunicação para rastreabilidade de alimentos e especialista em aplicações de
embalagens para alimentos.
Já na construção civil, são cinco
as profissões listadas: integrador de sistema de automação predial, técnico de
construção seca, técnico em automação predial, gestor de logística de canteiro
de obras e instalador de sistemas de automação predial.
Com a transformação digital se
espalhando por diversos setores, os profissionais de tecnologia da informação
são os que têm pela frente um dos futuros mais otimistas e terão oportunidades
em todos os setores da economia. Entre as ocupações que devem ganhar mais
relevância nesse segmento está o analista de internet das coisas, o engenheiro
de cibersegurança, o analista de segurança e defesa digital, o especialista em
big data e o engenheiro de softwares.
Um dos pioneiros do início da
industrialização no Brasil e no mundo, o setor têxtil continuará a se
transformar, com novas tecnologias colaborando para a concepção e a fabricação
de novas peças. Roupas capazes de emitir informações a partir do tecido ou de
sensores estão entre as inovações que ganharão mais popularidade, e
profissionais como o técnico de projeto de produtos de moda, o engenheiro de
fibras têxteis e o designer de tecidos avançados estarão por trás dessas
transformações.
As outras dez profissões listadas
estão nas áreas de Máquinas e Ferramentas (projetista para tecnologias 3D,
operador de High Speed Machine, programador de ferramentas CAD/CAM/CAE/CAI e
técnico de manutenção em automação); de Química e Petroquímica (técnico em
análises químicas com especialização em análises instrumentais automatizadas,
técnico especialista no desenvolvimento de produtos poliméricos e técnico
especialista em reciclagem de produtos poliméricos); e de Petróleo e Gás
(especialista em técnicas de perfuração, especialista em sismologias e
geofísica de poços e especialista para recuperação avançada de petróleo).
O Senai destaca que, apesar das
novas oportunidades, o cenário vai exigir que os profissionais mantenham um
processo contínuo de atualização e aprendizado ao longo da vida, com
permanentes requalificações. Também devem ganhar mais importância as
competências socioemocionais, chamadas de softskills, que incluem a capacidade
de trabalhar bem em equipe e a criatividade. As estruturas empresariais tendem
a ser menos verticalizadas e a exigir uma rotina mais colaborativa para
aumentar a produtividade, prevê o Senai.
O futuro do trabalho diante da 4ª Revolução Industrial está em debate na manhã de hoje (24) no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, em um seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria e por seis centrais sindicais: CSB, CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT. A formação do trabalhador e as transformações no sistema produtivo estão entre os temas discutidos.






